Vox Vampyrica Podcast - edição 4: E nesta quarta edição do Vox Vampyrica Podcast exploramos as origens cronológicas e etimológicas do termo “Uppyr”e por consequência as origens do conceito do “vampiro” originado em meados do século X ao norte da Rússia.O termo era utilizado para designar de forma pejorativa não convertidos a nova religião, habitantes do campo adeptos de cultos de fertilidade regionais - e por vezes usado no sentido de “não-merecedor” pelos eruditos e religiosos das cidades.
Sendo um programa voltado para estudos históricos e mitológicos e não restritos somente a temática da Subcultura Vampyrica.Esta edição é profundamente influenciada por autores clássicos como Carlos Ginzbourg,Mírce Elíade, Robert Graves e muitos outros, suas pesquisas e vivências permitem voar através dos véus negros guiados pelo brilho em nosso olhar.
Ressaltando que esta edição é a primeira parte sobre o tema das origens do termo vampiro - haverão outras. Nas próximas duas edições abordaremos a primeira década do século XXI no estrangeiro e no Brasil;
Na parte musical contamos com a participação do DJ Cid Vale Ferreira, atualmente residente do projeto B.L.A.C.K que acontece mensalmente no AUDIODELICATESSEN em São Paulo.
Um têmpero especial deste “set” especialmente elaborado pelo Dj Convidado Cid é que as músicas selecionadas abordam diretamente ou indiretamente o vampírico - e ainda fazem um passeio geográfico pelo mundo, trazendo bandas européias e norte-americanas.
Vox Vampyrica 4: Origens do Vampiro - parte 1
feat:Lord A:. & Lady Agatha
special feat: Dj Cid Vale Ferreira (sethlist)
sethlist: Dj Cid Vale Ferreira
01.Sopor Aeternus & The Ensemble of Shadows - Stake of My Soul
02.Votiva Lux - Il Vampiro
03.Two Witches - Mircalla
04.Paralysed Age - Bloodsucker 2000
05.Fear Condition - Vampire
06.The Deadlines - Vampires in Love
07.Scary Bitches - Lesbian Vampyres From Outer Space
08.Naughty Zombies - She’s a Vamp
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VOX VAMPYRICA PODCAST POWERED BY:
visite o site de nosso produtor:http://www.80srecords.com
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SERVIÇO:
O programa Vox Vampyrica é quase mensal e gravado em formato podcast podendo ser escutado diretamente em nosso site oficial ou através da internet a qualquer instante. Ele também pode ser escutado através de download para algum mp3, mp4, mp5 ou Ipod através dos meios oficiais dele:
http://www.voxvampyrica.com (site oficial)
http://www.voxvampyrica.blogspot.com (blogspot)
http://www.myspace.com/voxvampyrica (myspace)
E também através de uma ampla rede de sites, comunidades e blogs parceiros que pode ser consultada aqui
O VOX VAMPYRICA PODE SER CONTACTADO ATRAVÉS DO EMAIL:officinavampyrica@yahoo.com.br
O texto a seguir é de minha autoria e figura lá no www.vampyrismo.org - ele não constitue de um texto específico sobre subcultura vampyrica.É um texto elaborado ao longo dos anos baseado em pesquisas nas obras de Mírcea Elíade, Carlos Ginzbourg, Umberto Eco, Robert Graves, Walter Friederish Otto, Gordon Melton e muitos outros autores.Penso que é um texto bem legal para estudarmos vampiros, magia e porque não história, geografia e coisas assim - que todos amamos!
Sem mais delongas, voltemos no tempo para o norte da Rússia, mais precisamente na cidade de Novgorod no século X da atual Era Vulgar. Segundo estudiosos de etimologia e história de algumas universidades da américa do norte e europa - o termo "Uppyr" designava cidadãos de segunda categoria, expressões como "não sou merecedor" e ainda "aqueles que vertem libações".
E O LIVRO DOS SALMOS NO SÉCULO X: O uso deste termo e um sufixo foi encontrado em uma tradução do livro dos salmos da bíblica católica do alfabeto glagolítico para o círilico, realizada por um monge católico, para um príncipe católico de um reino católico - no caso Novgorod.
A CHEGADA DOS ESLAVOS: Já no século XII quando os Eslavos se estabeleceram oficialmente na região e arredóres - o termo adquiriu entre eles um sentido de designar habitantes do campo, ainda pagãos naquele tempo.Arriscando um viés mais audacioso, o termo referia-se a integrantes de antigos cultos da fertilidade da terra daquelas regiões.
AS DEUSAS NEGRAS: No século XI a Europa enfrentava a "fome".E os antigos cultos de fertilidade da terra, tornaram-se procurados devido a adoração as chamadas deusas-negras. Eram negras, para simbolizarem o solo mais fértil que existia.E por receberem a todos em seu abraço, sem preconceitos.Eram selvagens, e disso falamos ao longo do livro.A igreja católica vê-se em cheque e decide instituir o culto a Virgem Maria/Nossa senhora, ou melhor tira-la do papél de uma deídade menor ou secundária.Nos primeiros mil anos do catolicismo, ela tinha pouco destaque ou relevância. Com isso o cristianismo, rapidamente vestiu mantos azuis sobre as Deusas Negras em diversas regiões - e as rebatizaram como Nossa Senhora.
A EXTINÇÃO E O QUE SOBROU PRO FOLCLORE: Naturalmente, no século XII - mais ou menos duzentos anos depois do uso original - a maior parte destes agrupamentos já econtravam-se extintos ou sincretizados com menor conteúdo no catolicismo na imagem dos santos e de algumas heresias.A maior parte do que se especulava sobre tais agrupamentos, tornou-se folclore, em geral associado aos mitos da caça selvagem.E quem conta um conto, aumenta alguns pontinhos...
E VEM A IDADE MODERNA...NÃO DEU TEMPO DE EXISTIR VAMPIRO MEDIEVAL: No final do século XIV as igrejas católicas européias já haviam exterminado a maior parte dos seus inimigos e elementos deviantes tais como leprosos, judeus, catáros, heresias, templários e etcs. Isso foi realizado ao longo de alguns séculos e alí no comecinho da idade moderna, em algum momento encontraram o tal "livro dos salmos" que falamos alguns parágrafos atrás - e tiveram a brilhante idéia de inventarem o conceito de "vampiro" como viremos a conhecer nos dias de hoje.
VISÕES GREGAS...GENÉRICAS E ANACRÔNICAS...O SÉCULO XVII: Toda boa obra de arte leva tempo para ser fundamentada e construída. Só mesmo no século XVII que o "vampiro" se tornará um inimigo mais respeitável para os católicos que o inventaram, como sempre para usos políticos. Darvanzantti e sua turma lá na Grécia, como medida para se aproximar da igreja romana, utilizarão o significado inventado no século XV de forma genérica e anacrônica para denominarem todo tipo de personagem pagão - que jamais tiveram algo a ver com o conceito de vampiro.
OS ROMÂNTICOS DESCOBREM O VAMPIRO: Na segunda metade do século XVII os românticos encontraram nestes relatos um bom canal estético para debaterem o que era realmente viver, tabús, opção sexual, excessos e prazeres, valores estagnados da sociedade e muito mais.
ESPIRITOS, OCULTISTAS, ADJETIVOS E VAMPIROS: No século XVIII os espiritas franceses, vendo a receptividade do personagem vampirico nos romances, usarão de forma adjetiva o conceito para denominarem seus espirtos obsessores e afins.No século XIX os movimentos ocultistas como Golden Dawn e Teosofia farão algo parecido, em suas múltiplas tentativas de transformarem conteúdos do contexto pagão para um contexto monotéista e ilustrativo de seus discursos...E assim, o barco vai andando.
DRÁCULA, MINISAIAS, REVOLUÇÃO SEXUAL E SÉCULO XX: No final do século XIX, o escritor irlandês Bran Stocker virá a consolidar a imagem do vampiro com seu personagem do romance "Drácula" e definir a fórmula, padrão e modelo efetiva de todo um gênero de produção cultural ao longo do século XX - pelo menos até os tempos da revolução sexual no final da década de sessenta e o surgimento da cultura jovem...
...Daí em diante teremos novas visões sobre o tema, pesquisas acadêmicas realmente embasadas e sérias sobre folclore, etimologia, história e muitos outros campos. Teremos também uma exploração do tema, empreendida por neopagãos e também por escritores láicos e ainda fashionistas...Para entender melhor tudo isso, dê uma checada em outros textos de minha autoria neste site www.vampyrismo.org.
Quem quiser conversar, perguntar, contestas, debater, corrigir ou aprofundar - sera um grande prazer conversar um pouco sobre estas ideias.
Esta questão foi levantada também na quarta edição do podcast Vox Vampyrica - onde aprofundamos mais o período do termo na Rússia e arredóres.
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