
Este é o meu sonho e o meu pesadelo, um gigante desaforadamente me sufocando e me preenchendo de dúvidas, medos, anseios... Imortalidade é um machado que corta-nos na jugular retirando sangue que já morto fora desde antes do comum viver entre os mortais... Raspo a cabeça, raspo o corpo, corto-me e não morro... Chego perto da altura maior de uma montanha, de um penhasco, de uma ponte, me jogo de lá e não morro... Oh, Imortalidade! Oh, Imortalidade! Oh, Imortalidade! Que eficiência em dar-me a sombra da vertigem mais selvagem! Que ineficiência em dar-me a paz mais do semblante da serrania silenciosa que cresce mais! Paz não pode haver entre os Imortais, mortais... Paz para Vampiros significa a estaca n'alma e a extinção de uma mortalha que arrastamos por milênios em milênios de milênios...
Mais uma vez, aqui estou, Inominável Ser, a jugular mais antiga do mundo ou a jugular mais resistente do mundo? Somente sei que a minha sede é grande e o meu Mestre Inominável aprova aqui esta minha caminhada pela Vampírica Senda. Vampiro sou, Vampiro diante da Verdadeira Vida, Vampiro diante da Verdadeira Morte, trinta e um mil e três anos comprovam as pegadas minhas mais cadavéricas presentes nas terras mais sinceras e insinceras. Navego, vago, nitidamente pálido, realmente solitário, ouvindo a Voz Dele, meu Mestre Inominável, a ditar-me estas palavras e a conceder o privilégio de narrar em versos pelas altas madrugadas a trajetória vampírica de todos os que como eu tem a permissão de dar passos a mais entre as Dimensões Da Vida E Da Morte E Da Ressurreição Eternas. Neste Livro Inominável Dos Vampiros, nesta Morada Poética que imemoriavelmente ressoa pelos mundos onde Os Inomináveis cantam sobre as graças e as desgraças dos que estão nas Luzes e nas Trevas, estarão Véus erguidos e Véus encobrindo outros Véus. Toda a força e toda a forma das vestimentas dos Imortais aqui se fará atuante, O Abismo assim quer, as Trevas assim querem, Os Infernos assim querem, A Unidade assim quer.
Nós, Vampiros, somos Filhos Do Um tanto quanto vós que não sois Vampiro ou pensa não ser um Vampiro. Não rendemos homenagens ao Um chamando-o por um nome ou venerando-o em altares. Para nós, O Um se transforma em Tudo e em Nada e vai atuante nas Esferas dentro da respiração de todos os seres que respiram e de todos os seres que não mais respiram, como nós... Verdade ou mentira, para cada um este Livro servirá a um propósito definido e esclarecedor, revelador e velador, sintetizando o que se Ouve nas Sombras Universais, pois, nós, Os Vampiros, somos parte de toda a Criação e estamos presentes em todos os mundos e cravamos nossos dentes em todas as gerações e ações. Nada disto é um engodo, nada disto é um engano, e com a permissão de meu Mestre Inominável, com a permissão Dele e dos Inomináveis, e dos que estão acima Destes e Daquele, inicio este Livro cheio de sangue a cada verso e pontuado por lágrimas dentro de cada rubra gota a escorrer pelas eternas páginas dele...
Falai, Mestre Inominável!
Falai, Vampiros Da Criação!
Oh, Inominável Benção É Cravar Os Dentes Na Deusa Poesia E Sugar A Mais Eterna Inspiração Neste Livro Para Vampiros E Não-Vampiros, Imortais E Mortais, Inomináveis E Nomeáveis, Todos, Enfim, Advindos Da Unidade!

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